quinta-feira, 6 de setembro de 2007

2. A carta.

Na casa do Cavalcante o clima era pesado e os olhares penosos fitavam-se sem ter muito o que dizer. Era uma casa muito grande, pintada em branco e adornada maravilhosamente em belos objetos... Um descuidado qualquer poderia dizer que se tratava de peças valiosíssimas. Ali, no quarto do falecido filho, Jonas tinha uma liberdade meticulosa. Todavia, quase uma hora antes Cavalcante havia se inclinado àquela decisão em um lamentoso diálogo com Jonas.

Cavalcante, que no semblante não escondia a imensa tristeza, o que não fazia passar despercebido sua personalidade forte e verdadeiramente tradicional, e conduzia Jonas pelos aposentos da casa em desabafo um tanto quanto contido:

- Conheço seus serviços, mas seja discreto...

Jonas sequer o olhara enquanto atravessavam um corredor, era indispensável disfarçar a sua pura indiferença perante o caso:

- Sim senhor, mas...

Cavalcante o interrompeu:

- Sim. Já ouvi falar de seus métodos e sua eficácia, Fernando irá lhe acompanhar. Eu vou tentar me recompor, bebe?

- Não.

Fernando, um dos homens que o procuraram no dia anterior, o esperava dentro do quarto de Ricardo, o jovem filho de Cavalcante. Este por sua vez foi para a sala de estar, onde dividia seus lamúrias com uma senhora soluçante de dor afetiva.

Já passada uma hora e dentre todos os lugares as quais Jonas poderia ter alguma liberdade em procurar, já que Fernando estava ali para evitar abusos, um pequeno pedaço de papel embrenhava-se entre inúmeras páginas de um livro. Jonas observou o título, tratava-se de um exemplar Willian Shakespeare, “Romeu e Julieta”.

O papel, uma carta de amor escrita a próprio punho. Palavras amargas de um amor impossível à flor da paixão, um toque então do misterioso perfume que embriagava naquele caso.

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

1. Um novo caso.

Um lamentável acontecimento, era tudo o que Jonas tinha em mente para dizer, diante de um homem bem vestido e acompanhado de dois outros, que deveriam ser seus seguranças. O lugar em que se encontrava era apertado, mas muito bem organizado, uma mesa simples e alguns objetos de escritório dispostos sobre a mesa. Um clássico armário de latão que identificava-o como detetive particular em início de carreira, lixeira, banheiro e as paredes brancas e bem pintadas, parecia que a pouco passaram lá algumas mãos de tinta. Todavia, o ambiente era carregado, um detetive sempre tratava de assuntos delicados e aquele então, era especialmente embaraçante para os contratantes.

Jonas era dotado de um inteligência razoável, mas era uma pessoa dedicada e normalmente eficiente no que fazia, eficiência também era a palavra que explica como mostrava-se tocado por um assunto que nada lhe despertava, a não ser indiferença, essa mesma característica que o acompanhava em uma monotonia sem fim por tudo quanto ele via em sua frente, mas recusava qualquer tipo de tratamento.

O homem bem vestido, na verdade apresentava-se com um fino terno cor de gelo e um rosto firme, muito bem expresso no cavanhaque que dava força a sua expressão. Ele dizia:

- Jonas, foi uma tragédia! O filho do Cavalcante morto... Lamentável. Nós queremos seus serviços, só esperamos sigilo, como de costume.

Jonas sequer observa os outros dois homens vestidos de terno preto, e o frio diálogo continua:

- Entendo. Conte-me sobre.

- Bom... Não sabemos como aconteceu, foi um assassinato.

- Entendo. Conhece meus honorários...

- Podemos pagar.

- Alguma desconfiança?

- Nenhuma.

- Então preciso conhecer algo da vítima.

- Já pensamos nisso.

- Como?

- Você terá acesso a algumas algumas coisas da família, para começar a trabalhar.

- ...

- Providenciamos tudo.

- Certo.

Jonas tinha certeza que aqueles homens eram empregados da mais alta classe setelagoana, o tom severo de suas palavras emanavam o poder daquela família que os enviara até lá. Era certo que algo de pobre iria surgir diante de seus olhos, mas são ossos do ofício. Ao fim, apertaram as mãos de Jonas e foram embora, esperando-o para o dia seguinte na grande casa da família Cavalcante.

domingo, 29 de julho de 2007

Coisas do amor.

Leandro desceu da lotação e caminhou a passos tortos, o álcool já corria por muito tempo em sua veia e a meta naquele momento era chegar inteiro na sua casa. É que a noite os bairros andam perigosos e o Montreal não era nenhuma exceção. Passos lentos e cansados sobem a rua da sua casa, sem nenhuma cautela típica dos bêbados de 19 anos; a farra estava muito boa e agora o único pensamento era chegar e entrar no seu quarto sem acordar sua mãe, pois seu pai, um caminhoneiro, estava de viagem

Olhou o relógio de frente ao muro amarelo da sua casa, eram 2 e 15 da manhã e já lutava para enfiar a chave no lugar certo. Quando entrou, foi percebendo uma música nada comum para aquele horário!Leandro gelou, pois sua situação era catastrófica e certamente levaria um sermão!

Abriu a porta lentamente, de modo que sem querer o ruído desta fora abafada pela música que ressoava lá dentro; reconhecendo a música, tomou gosto pela escolha do QUEEN.
Atravessou o corredor, onde ao final situava seu quarto, mas deveria passar pelo quarto de seus pais, que era de onde vinha a música... Mas ao tentar ser silencioso, algo lhe chamou a atenção diante da porta e para seu espanto, virou o rosto e se viu diante de uma cena que para ele era chocante.

Nuas! Sua mãe e uma jovem da idade de Leandro, ambas desesperadas, descobertas do sigilo das carícias que trocavam ao som de um rock dos anos 80. Leandro estava pasmo diante daquela cena. O que aquela garota fazia nua transando com a sua mãe?

Aquela foi uma longa e torturante noite para Leandro, onde os berros de indignação eram escutados por todo quarteirão naquela madrugada.

sábado, 21 de julho de 2007

O perneta

Em uma cidade do interior de Minas Gerais, chamada Sete Lagoas, existia um tal de Perneta. Homem bravo e louco, suas histórias, passadas de boca em boca, ganham proporções de mitos. Assim, Perneta é um mito setelagoano. Ele, claro, só tem uma perna e se move com a ajuda de uma muleta; louro e de olhar macabro, é temido pela feição e feitos... Dizem até que já venceu 8 homens armados de facas ao mesmo tempo, que corria mais que um carro comum, que abriu a barriga da mãe para ver o que tinha dentro, entre outras coisas.

Estava eu outro dia perto do CAT (Centro de Atendimento ao Turista), que é algo muito pouco visitado, exceto quando lá se vende Abadás para o Carnasete, o carnaval temporão da cidade. Na rua que fica atrás deste lugar é onde fica boa parte dos pontos finais de ônibus; o lugar é movimentadíssimo! Pessoas de todas as etnias se acotovelando, olhares que se cruzam e se desfazem por medo ou por timidez, algumas conversas descontraídas e atentas ao ronco dos motores, olhares estranhos e poucos conhecidos de algumas mulheres bonitas, carros passando e ônibus parando, o vendedor de picolé, sempre ali naquele mesmo canto e eu em um tédio comum ao ato de esperar, algumas pessoas um pouco acomodadas nos bancos... Sempre me sinto satisfeito quando não tenho que ficar em pé.

Eis que surge o Perneta, eu nunca o tinha visto. Lembrava um homem de 40 anos, pele ressecada e cabelos louros e curtos, o olhar era intimidante e inspirava o receio de tê-lo perto de mim, e claro, a muleta, embora ele a manobrasse com maestria... O personagem de tantos mitos estava pronto em minha mente, diante de mim.

Isoladas e amedrontas, duas mulheres. Ambas acuadas de súbito pelo vácuo que fez a multidão em defesa própria. Perneta não teve dúvidas... A medida que ia se aproximando, as duas se faziam cada vez mais de desentendidas até o limite de onde não era possível, ele estava lá, diante delas. Elas olhavam apavoradas para todos os lados, a fim de perceberem um súbito herói setelagoano que evidentemente não seria eu. Ninguém queria se arriscar e o inusitado aconteceu!

Subitamente, o Perneta arrancou a bolsa das mãos de uma das garotas para o espanto geral e para uma mistura de perda e alívio de uma das garotas. Os guardas municipais que passavam por ali logo perceberam o que acontecia e se puseram a persegui-lo, mas estavam um pouco longe. Perneta correu numa velocidade impressionante ao atravessar a rua do ponto final, por meio a carros em alta velocidade e com um pulo, passou por cima de um muro de três metros sem que os guardas nada pudessem fazer para acompanhá-lo.

A polícia chegou e não conseguiu achar o Perneta, estaria registrado mais um mito setelagoano.

sexta-feira, 6 de julho de 2007

10. Uma verdade cruel.

A última nave da expedição Vênus daquele ano decola de solo terrestre. Abaixo é possível se observar cada vez menor o aglomerado cinzento de metal e coberto pela espessa camada de gases também acinzentados. Sinais de luz são tudo que restam naquela altitude e as turbinas são ligadas a atravessar a atmosfera, enfim, o planeta acinzentado seria deixado para trás. De baixo, as pessoas acompanhavam ansiosas pelo que seria, segundo informações oficiais do governo, a segunda expedição enviada para o planeta desconhecido. Maravilhados diante seus televisores ou até mesmo completando visualmente a partida daquela máquina voadora, os desejos infantis de serem astronautas exploradores eram vivenciados pela ótica do observador.

Horas depois aquele mísero objeto cruzador do sistema solar já se via diante de um planeta magnificamente belo e incursá-lo a dentro seria a próxima tarefa. Todos estavam apostos e ansiosos quando a atmosfera fora atacada pelo metal e tudo corria muito bem.

A nave atravessa a camada colorida de gases e tudo indica que o pouso diante um terreno que ao longe lembrava a pele de um animal seria tranquilo. Todavia, o radar acusa a aproximação de um grande e colossal objeto. De tão rápido, a informação não pode ser digerida pelo comando e o choque foi inevitável! Ao que parece, uma enorme pedra acinzentada atingira a nave e a lançara velozmente pelo fator da inércia, mas deixando um rombo que fazia vazar todo o combustível. Foi tudo muito rápido e a espaço - nave só conheceu o chão muitos kilômetros depois, em um ambiente de vidro absoluto onde o horizonte se perdia de vista.

O choque foi destruidor, o impacto da queda fez a máquina quicar várias vezes e a cada toque no chão ela se desfazia mais e mais, num espetáculo de metal se destroçando em piruetas velozes. Os fragmentos do cruzador estrelar espalharam-se por kilômetros.

Eis que surgem passos no meio do vidracal a se desvencilhar dos cacos metálicos e do piso. É Camargo, um tripulante deixado a própria sorte na primeira viagem ao planeta. Seu rosto desesperançoso e resignado agora caminha por entre as ferragens; sobreviveu a deglutir pequenas plantas que encontrava no deserto de vidro, bem como bebendo o sangue destas. Ao observar o que seria um laboratório, encontra uma mulher degolada... Todavia, ela o observa temerosa, era Yunna. Camargo dizia que a morte inexiste naquele planeta, mas ela já podia saber por si própria.

Fim. =)

9. Uma decisão incompreensível.

Quase que completamente privado de sua racionalidade, Gorano agora embrenha-se na atmosfera daquela região. A Insanidade confunde seus pensamentos e a saciação da fome é o único objetivo que o norteia. Todavia, algo parece estar diferente naquela paisagem, é como se o céu caísse sobre ele em uma tempestade de gases de cores fortes e agressivas, acompanhado por descargas magnéticas que ferem a visão e confundem pela aleatoriedade dos movimentos.

O espanto ao maravilhosamente terrível se consolida à anarquia de sentimentos, emoções e instintos e aquilo passa a devorá-lo por dentro. Como um animal acuado que era, os berros desesperados daquele que nada tinha o que fazer diante do horror se proliferavam, empurrando-o rapidamente ao estado letárgico de uma razão enfraquecida.

As pedras flutuantes agora deslocavam-se aleatoriamente e no eventual choque o estrondo pavoroso era percebido por qualquer um que tivesse ouvidos para escutar, logicamente aquela melodia da destruição trazia em si o descompasso de um acaso perturbador.

O caos era tudo que existia, até que finalmente os gases sobem e as pedras se colocam em seus novos lugares. Gorano, que agora observava a tudo maravilhado como um recém-nascido, observa uma grande e colossal pedra flutuante partir em alguma direção a altíssima velocidade. Ela some no horizonte e ele tomba a babar.

domingo, 1 de julho de 2007

8. A besta.

Semanas depois de estourada a revolta, muito pouco restou da tripulação. Os grupos que se defendiam no teor do medo, viram-se obrigados a duelar pela canibal comida até que restasse apenas um. Algo de diferente havia naquele lugar, a fome era incessante e as fezes já não eram perdoadas pelo apetite voraz.

Havia um último grupo, da qual pertencia Gorano, este já estava completamente deformado, mas tinha uma vantagem. Um olho ainda funcionava e seus dentes pareciam bem equipados diante do restante do grupo, que apenas vagava esfomeado e a esmo. Diante da barbárie que havia presenciado, atacar aquelas pessoas não seria uma idéia exatamente questionável, tentava fugir de antigos pensamentos da moral que tentavam o apunhalar a todo custo, todavia, a realidade era verdadeiramente outra, mesmo que a adaptação fosse difícil e a custo de toda sua construção como pessoa, afinal, ele estava ali, vivo!

Gorano decide atacar os outros membros, e enquanto faz isto, a visão do resto da embarcação espacial se reduz apenas ao sangue que não fora tomado, trapos que não se enroscaram na carne ao serem ingeridos, ossos partidos e esquecidos. A luz macabra continuava por todo local a trazer à tona aquele cenário de uma batalha épica pela vida, onde valores sucumbiam às necessidades do momento e o horror de pessoas era percebido a cada instante.

Vitorioso de sua empreitada, Gorano, ainda mais ferido e com a brutalidade no âmago do espírito, uma força animal que o arrastava e já o fazia esquecer de que era humano, trabalhava sobretudo com as vontades do instinto e sua imediata satisfação; perdera palavras e sentia não precisar dela. No mais, o máximo que precisou da memória, ele teve, e assim saiu daquele lugar rumo à paisagem das pedras flutuantes.

quarta-feira, 27 de junho de 2007

7. O limite moral.

O terror se espalhara! Um estado animalesco de luta pela própria sobrevivência se instalara até mesmo fora dos limites da habitação humana. Na sala de reuniões, Comandante Cláudio agoniza inerte, mutilado por uma revolta outrora bem sucedida no que tange à eliminação de um poder não coerente com a vontade do grupo, ele ainda estava sendo devorado por dois daqueles que deveriam ser seus subordinados. Os dentes arracam-lhe furiosamente a carne do seu peito, alimento suculento naquele momento de falta total da comida tradicional, outros dentes lhe mordiam e arrancavam os dedos da mão do único membro que ainda possuía. Cláudio agora estava sem olhos, sem lábios, suas tripas foram devoradas, o sangue o banhava e sequer podia gritar, sua língua e grande parte do pescoço também serviram de banquete àqueles que apenas conheciam a fome. Cláudio implorava internamente para que morresse logo, lembrava-se de vários deuses, lembrava-se de um mundo pacífico e perfeito que viria após a morte, mas aqueles instantes eram intermináveis e sua dor era intransferível.

Assim também acontecia dos fortes para com os fracos. Mas uma dor ainda atingia aqueles que não estavam muito contaminados pela doença, era a consciência. Valores aprendidos em uma sociedade que os aceitavam, eram agora deixados de lado a duras custas, era preciso sobreviver. Nem todo treinamento poderia supor tamanha atrocidade para aquelas pessoas e cada mordida os fria a alma. Uns comiam aterrorizados, outros comiam a se desculpar internamente e em lágrimas, outros poucos conseguiram fugir para o terreno rochoso em um ato de coragem dupla contra a fome e contra um planeta surreal, a fim de defender suas dignidades.

Já existiam grupos de proteção mútua e rivais uns dos outros, aqueles que fugiram sucumbiam visivelmente pelas janelas daquele lugar. O terror se mostrava intolerante e os que eram levados à loucura, logo serviam de banquete... Tudo era a se temer.

Na sala de armamentos estava Rokier, faminto a saboreando um suculento seio... O que era difícil, pois seus dentes podres já estavam a atrapalhar. Dividia-a com um grupo de seis pessoas... Enfim, ele resolve se livrar de um colar que o incomodava e a culpa o dominou por completo quando leu o nome de sua irmã, Amáris. Ali ele perdeu a fome, mas sabia que nada poderia fazer diante de um grupo faminto.

6. Um novo caos.

Naquela região acinzentada e com pedras flutuantes, lá está o monumento da invasão humana a um planeta hostil. São construções agressivas que deveriam denotar o espanto, medo e admiração por parte de uma população alienígena não encontrada. O ferro sobe também nas construções paralisadas, as máquinas já acumulam poeira e do lado de dentro, os humanos perecem.

Em reunião fechada, o rosto do Comandante Cláudio e de seis subordinados de auto escalão é de um medo perante o desafio invencível, não parece existir possibilidades. Enquanto discursam sobre o caminho a tomar, entreolham-se as aparências fúnebres, rostos sem lábios, rosto sem nariz, sem orelha, alguns olhos que não funcionam mais, o cabelo que cai desproporcionalmente, as mãos putrefadas, unhas que soltam etc. Resistiam ainda na idéia de aparência, o que ligeiramente os enganava mutuamente quanto a uma boa saúde e condições psíquicas para participar daquela reunião. A frieza da liderança se mostrou pela opção de alimentar apenas os que aparentavam boa saúde, como que a condição deles próprios os dariam álibi para a salvação por mais alguns dias; alimentação e água já se mostravam escassos e entregar os mais doentes a própria sorte seria a única alternativa possível.

Engenhosamente se puseram a selecionar mentalmente aqueles que deveriam ser mais ápitos ao direito de sobreviver por mais algum tempo. Os critérios perpassavam de subordinação à interesses emocionais daqueles que escolhiam, todavia, estes motivos não eram questionados... Aquele momento trazia em si algo de laços humanos no momento mais crítico e cruel de suas vidas e era comungado por eles naquela pequena sala de comando.

Em diversos lugares do recinto, era possível - para quem ainda podia ouvir – escutar o chamar de nomes, nomes estes que deveriam dirigir-se para o setor de alimentação.

Em poucos minutos a iniciativa do comando se viu um algoz da organização. É que aqueles que foram chamados rapidamente deduziram que o seriam para um destino trivialmente cruel. No pensamento dos tripulantes, isso não passava de um grande extermínio generalizado a fim de erradicar a doença. Tudo começou com um boato e agora se viam liderados por uma engenheira eletrônica de nome Gátaza. A confusão e o espírito de revolta diante das intempéries fomentou uma agitação geral, que já batia a porta da sala de comando.

segunda-feira, 4 de junho de 2007

5. Realidade tortuosa.

Dos corredores bem iluminados, dos salões de jantares, dos dormitórios, das salas técnicas de operação... Tudo se resume ao grande pavor e sofrimento experimentado por aquela tripulação. Os olhares desesperançosos se cruzam a procurar respostas mirabolantes que lhes dessem calma e conforto, todavia, não é esta a impressão que circula por todo o ambiente.

Do lado de fora, as construções estão paralisadas. O protótipo esquelético das edificações mostram a ruína do empreendimento, a solidão é a imagem que se preserva aos olhos que buscam, das janelas na nave-mãe, vislumbrar aqueles projetos de momunentos destinados a ruína. O ambiente hostil com as pedras flutuantes continua, mas agora imponente pelo poder desconhecido que fere aquela população acuada. As máquinas da engenharia fecham o quadro desolador, absolutamente esquecidas no exterior do ambiente.

A praga agora era generalizada e até mesmo o comandante Cláudio se via infectado. Seu semblante era desolador diante da confirmação da equipe médica da impossibilidade de cura de toda uma tripulação. Ao que parece, aquele mal trazia a mortificação do tecido humano e estariam todos condenados a perecerem lenta e dolorosamente.

O segundo impacto contra a força de vontade de Cláudio foi a negativa ao pedido de socorro enviado ao planeta Terra. Em reunião, foi forçosa o consenso de mentir e racionar a alimentação esperando efetivamente por um milagre que jamais iria se concretizar.

Enquanto isto, uma das enormes pedras que flutuava dirigia-se lentamente em direção deles, o que causava um temor não generalizado, pois para alguns, a morte seria um bem naquele momento. Alguns corpos em putrefação e ainda vivos, a lástima da empreitada humana.

sexta-feira, 11 de maio de 2007

4. Uma nova incerteza.

Aos olhos do comandante Cláudio a realidade atmosférica do planeta Vênus traz intimidação. Aquele homem calvo e de semblante firme não poderia simplesmente externar seus temores diante de uma tripulação não menos nervosa. Ao certo que as histórias sobre as viagens anteriores testava-lhes a coragem e penetrar o desconhecido ou pouco explorado era tarefa por demais perigosa.

Ultrapassando as primeiras camadas atmosféricas a expedição de 6 naves repousa tranquilamente em uma superfície acidentada, formada por rochas acinzentadas que traziam um aspecto agressivo e sem vida. Todavia, o que mais chamava a atenção eram sim as enormes pedras do mesmo terreno que flutuavam em alturas diferenciadas, embora o local apresentasse atração gravitacional.

O objetivo, desta vez, seria construir uma colônia que abrigasse os cientistas renomados enviados na missão e em pouco tempo os trabalhos começavam; um cruzador galático fora projetado especialmente para se transformar em sede humana para pesquisa. Assim, em pouco tempo as máquinas trabalhavam pesado sem qualquer problema que pudesse interferir no andamento do projeto.

Duas semanas passaram-se sem problemas, as colunas de sustentação já estavam fixadas e o subsolo estava pronto, bem como o esqueleto de vários prédios já se mostraram imponentes; mas o comandante Cláudio receberia notícias nada agradáveis. Um mecânico encarregado da parte hidráulica dos equipamentos e maquinarias apresentou rugosidade em determinados pontos da pele. A equipe médica foi ineficaz em determinar as causas daquele estado de saúde. De certo, não se sabia qual seria a evolução daquele quadro e isto deixava os líderes perplexos, bem como deixava toda a tripulação angustiada e à mercê dos mais variados boatos.

A ordem dos médicos era absoluta: Descanço e observação. Todavia, a empreitada humana não iria parar.

sábado, 5 de maio de 2007

3. Sobrevivente.

Agora tudo se resumia ao terror. Vagando pelos corredores e salas daquela estrutura, o que se via era geralmente o retorcer dos metais, fios expostos, canos partidos, pisos decorados ao vermelho do sangue. O lugar parecia que iria cair sobre a cabeça dos soldados a qualquer momento e não raro se escutava este efeito; a nebulosidade da luz interna, às vezes denotando picos de energia, fazia estremecer os nervos daqueles legítimos aventureiros.

Um grito! E assim os 12 soldados tinham a certeza da afirmação de sua missão, alguém estava vivo. Tiros ao longe eram disparados enquanto o pelotão guiava-se pelo som. Mais gritos e mais tiros, assim terminando no quebrar de ossos... Mas os gritos não paravam, eram de uma angústia impressionante e isto remetia aos sentimentos de desconhecido tenebroso que cercavam aqueles homens de combate.

A cena era grotesca! Um homem que se apresentava apenas do tórax para cima os observava de forma inexplicável. A sala de fotografia apresentava inúmeras estantes tombadas e suas respectivas ferramentas ao chão, trincaduras por toda a parede de metal e enormes canos estourados aumentavam a sensação de pequenez junto a parca luz vermelha habitual. Aquele homem de rosto velho e cabelos curto e grisalho não tinha forças para falar, mas seu olhar apavorado ilustrava bem o que era ter parte do intestino estirada pelo lugar; as suas lágrimas corriam.

A potência metálica em seis canos de destruição da escopeta ou a própria coragem já não se mostravam aliados confiantes. O restante do caminho, ao ignorar a última vítima, mostrava membros dilacerados que persistiam em se movimentar, olhares desolados de corpos dilacerados, tripas, fezes e restos humanos se mostravam aos olhos passantes; pareciam todos estarem vivos e isto sequer fora questionado.

Ao som dos passos, algo desperta a atenção de imediato. Vindo de um cano estourado em um corredor bem iluminado e devidamente forrado de sangue, algo parece requerer a atenção das armas naquele rumo em especial. Era Yunna, desesperada e imunda pela estadia nos dutos de esgoto, ela chorava suplicante e sua agonia entrelaçava à esperança em ver aqueles homens fardados. A missão de resgate terminaria ali.

sábado, 14 de abril de 2007

2. Mudança de planos.

As pesquisas acerca do ser alienígena juntamente com outras fontes pesquisadas em Vênus, prontamente fomentou a curiosidade e cobiça humanas; a manifestação desta realidade se fazia em outra nave de expedição lançada rumo ao planeta. Yunna, de pele negra e fortes traços sensuais, agora voltava a expedição em busca de novas evidências às mais variadas necessidades e desejos humanos.

Penetrando desta vez em uma camada escura de gases, o cruzador galáctico parte para se confrontar com um destino inóspito. Ao que o sistema indicava, perturbações de ordem estática envolviam a máquina e logo os tripulantes se viam alimentados por intensa angústia. A certa altura, a nave pareceu chocar-se com um objeto sólido e isto foi fundamental para que esta se lançasse para a superfície de forma desordenada.

O impacto fora gigantesco, os danos mostravam-se irreparáveis e algumas mortes foram contatas. Do lado de fora, uma multidão de seres alienígenas os acompanhavam inertes; algo como uma imensa vegetação de alienígenas muito parecidos com aquele levado como amostra na primeira viagem. Sangue era a palavra para demonstrar o cenário externo, a nave caíra em meio a um grande contingente alienígena.

Yunna passara horas coletando espécimes, enquanto os mecânicos e técnicos tentavam a todo custo reparar o sistema de comunicação, a fim de enviar um pedido de socorro. Distanciando-se junto à equipe, um quebrar de troncos e estourar de bolsas de sangue são ouvidos ao longe; sem pestanejar, todos postam-se a voltar temerosos, enquanto os ruídos tornam-se cada vez mais fortes. Em certo ponto eles já se viam a correr diante do desespero invisível, é que uma pessoa fora sacudida, mordida e enfim dilacerada por um mal não alcançável aos olhos... o suor deslizava pelo rosto apavorado em rumo à base.

Diante da notícia da morte de uma pessoa, o alarde é geral! A estrutura outrora possante, agora apresentava rachaduras e buracos que limitavam a sensação de defesa dos integrantes da missão, então regufiados dentro da espaçonave. Da sala de transmissão era possível se ouvir ao longe o som de metal se retorcendo. Era isto apavorante.

A comunicação foi restabelecida, o pedido de socorro iminente fora enviado e os tripulantes articulavam uma maneira de sobreviver.

Prato dos Deuses

“Você é muito bem recepcionado, o grande e bem aparentado garçom vestido de um smoking branco, abre a você as portas da sala de jantar.

As paredes transmitem uma paz imensa em seu tom branco, a mesa a combinar com o piso também branco de uma nitidez paradisíaca; e enfim, sua poltrona branca, como bem as roupas que veste você e todos os outros membros daquele recinto.

A prataria é o contraste quase não identificável do lugar, de forma com que a boa educação e etiqueta completam a sensação de conduta e bom gosto.

Enfim, o prato principal vem pelas mãos de um garçom de cor negra em trajes tão somente brancos, logo após ele, outros doze garçons adentram o recinto a servirem individualmente os convidados.

Após servidos, simultaneamente são retiradas as tampas dos pratos que já continham um sangue fresco que pingavam do prateado em prateado em forma de cálice.

Um suculento e fresco crânio humano recém-abatido de um homem branco e de traços robustos, uma enorme cratera no crânio que denunciava o saboroso cérebro que ainda se contorce. Obviamente seguida de uma pequena colher de sobremesa; e não menos importante, os olhos muito bem dispostos ao lado da comida, a fim de se dar maior charme ao prato.

Munido de garfo e faca, você extrai um pedaço da bochecha que vem recheada de delicioso sangue. Após a degustação, é a vez da orelha esquerda, que mesmo cheia de cera ainda se torna um aperitivo macio e lentamente mastigável; mas o mais delicioso ainda estava por vir, picotando a lingua em vários e saborosos fragmentos para que assim, a digestão fosse mais apreciável.

“Crok!!!” Este é o barulho do olho humano que você agora mastiga, o caldinho resvala pela sua boca. Imediatamente o garçom que o serve se apodera de um pano branco e limpa para você, pois tudo aqui é muito fino.

Logo que você retira o primeiro pedaço do encéfalo, logo é servida sanguessugas que são dispostas dentro da cratera cranial. É necessário deixar com que elas succionem o cérebro por algum tempo.

Subitamente, aquele ser desperta de seu estado de coma, um grito espiritual é repassado enquando seus miolos são devorados; e sem entender o porque de tanto sofrimento, o crânio cai tendo espasmo de dor. Nisso, uma das sanguessugas cai perfeitamente em seu garfo, furando-se. A cena daquele ser inocente se contorcendo em seu garfo é forte demais para você, não se contendo em sí e vomitando de nojo sobre a mesa.

quarta-feira, 11 de abril de 2007

1. Descortinando mitos

Muitos anos no futuro e a humanidade mostra o potencial de sua tecnologia em uma gigantesca nave em fibra de alumínio, titânio e borracha. Um aspecto agressivo em seis turbinas incandescentes traduzem sua robustez juntamente aos traços dignos do que seria um tanque de guerra voador nos dias de hoje.

Pela primeira vez a longa camada de gases é atravessada por uma embarcação humana e aos tripulantes privilegiados por uma proteção transparente contra a atmosfera é lançada um turbilhão de cores e efeitos que denotam a mais profunda paz. Todavia, a apreensão na tripulação é iminente frente ao desconhecido e por detrás daquela cortina de gás, qualquer coisa poderia ser apresentada... Inclusive o nada. A confusão de sentimentos é o algoz de cada ser humano ali presente.

Atravessando a camada, logo o sistema denuncia a solidez inacreditável existente naquele planeta. Sim! Podiam gritar em Vênus, “Terra firme”! Àqueles olhos maravilhados e temerosos, nada se apresentava senão uma continuação nebulosa de incertezas gasosas, até que tocaram suavemente o solo e ao espanto geral, um trincado agudo apavorou as certezas da tecnologia de então.

Existia oxigênio respirável! Era o que denunciavam os testes! Em pouco tempo as equipes já observavam de fora da nave aquele terreno de vidro tão límpido a refletir um céu tão nebuloso em gases das mais diversas e claras cores e texturas, onde no horizonte era impossível se ver da união entre céu e chão, o local exato onde se deitava amorosamente um sobre o outro.

A quilômetros da nave, onde só era possível vê-la como um pequeno ponto de referência, Yunna, uma pesquisadora, observa maravilhada um ser daquele planeta. Encravado no vidro até onde era impossível se observar, um caule sem folhas ou galhos e alimentada por veias e bulbos de sangue expostos ao ar demonstrava seu aspecto impetuoso. Aquilo de certo trazia sensações enjoativas, mas ainda assim maravilhosas! Logo foi levada para análises especializadas, tratava-se de vida alienígena.

Tripulantes enaltecidos pelo trabalho, era hora de voltar. A grande máquina levanta-se do solo transparente deixando para trás uma vitória conquistada. Uma vitória conquistada e uma pessoa perdida. Camargo perdera-se naquela imensidão de imagens sem nenhum equipamento e sabia que seria considerado como perda aceitável durante a missão, ele havia fugido aos avisos do protocolo de segurança. Enquanto as turbinas imperam por entre a atmosfera Venusiana, aquele homem seria o único a conhecer profundamente as lamentações de um mundo desconhecido.

Desejos.

“Em um lugar, existe uma bela garota. De cor clara e belíssima feição; ela sorri com seus lábios carnudos a desejar algo. Seus amendoados olhos castanhos penetram a alma de cada ser, e ao longo dos cabelos negros ela definha em bela aparência.
Então se torna fácil perceber os peitinhos durinhos e com biquinhos rosas, que se encaixam perfeitamente ao corpo da garota. Mais abaixo, uma vasta barriga denuncia uma gravidez de oito a nove meses, grande e magnífica, ela simboliza o que aquela linda garota mais tem de importante.

Usando uma calcinha de renda cor de rosa, ela se sustenta ao longo das belas penas que tem e se firma em doces e delicados pés sobre o piso negro de fundo negro; que torna incompreensível distinguir o que é chão e o que não é. Você olha a sua mão e nota um poderoso e grande machado. Arma esta que lhe insita a caminhar rumo a garota que se mostra confusa, e ao chegar mais perto o instinto fala mais alto e você ataca.

O primeiro golpe acerta o seio esquerdo, cortando-o ao meio e deixando grande parte de sangue a derramar. A feição da garota muda bruscamente para o pânico e o desespero, mas você não para. Mais golpes são dados contra a barriga da garota, semeando o sangue e deixando a mostra todo o feto, que se emaranha junto ao intestino e plascenta da mesma. Ela chora desesperada, mas ainda assim você continua.

Em um golpe certeiro, é definitivamente aberta a barriga da garota, mesmo golpe que também deixa a mostra o cérebro do feto que agora agoniza. Ela chora banhada em sangue e após outros golpes de seu machado, faz com que seu intestino caia ao chão junto ao feto. Sem forças, com um rombo nos dois seios e uma cratera na barriga, ela perde as forças e tomba para trás.
Saciado de sua vontade de sangue, você larga o machado e se ajoelha; para assim, poder degustar o que caiu da garota entre intestino, feto, sangue e fezes.
A garota dilacerada muda de feição, sorrindo levemente como que se tivesse realizado um desejo. Ela leva a mão esquerda à calcinha a se desvencilhar da mesma e começa a se masturbar.”