Muitos anos no futuro e a humanidade mostra o potencial de sua tecnologia em uma gigantesca nave em fibra de alumínio, titânio e borracha. Um aspecto agressivo em seis turbinas incandescentes traduzem sua robustez juntamente aos traços dignos do que seria um tanque de guerra voador nos dias de hoje.
Pela primeira vez a longa camada de gases é atravessada por uma embarcação humana e aos tripulantes privilegiados por uma proteção transparente contra a atmosfera é lançada um turbilhão de cores e efeitos que denotam a mais profunda paz. Todavia, a apreensão na tripulação é iminente frente ao desconhecido e por detrás daquela cortina de gás, qualquer coisa poderia ser apresentada... Inclusive o nada. A confusão de sentimentos é o algoz de cada ser humano ali presente.
Atravessando a camada, logo o sistema denuncia a solidez inacreditável existente naquele planeta. Sim! Podiam gritar em Vênus, “Terra firme”! Àqueles olhos maravilhados e temerosos, nada se apresentava senão uma continuação nebulosa de incertezas gasosas, até que tocaram suavemente o solo e ao espanto geral, um trincado agudo apavorou as certezas da tecnologia de então.
Existia oxigênio respirável! Era o que denunciavam os testes! Em pouco tempo as equipes já observavam de fora da nave aquele terreno de vidro tão límpido a refletir um céu tão nebuloso em gases das mais diversas e claras cores e texturas, onde no horizonte era impossível se ver da união entre céu e chão, o local exato onde se deitava amorosamente um sobre o outro.
A quilômetros da nave, onde só era possível vê-la como um pequeno ponto de referência, Yunna, uma pesquisadora, observa maravilhada um ser daquele planeta. Encravado no vidro até onde era impossível se observar, um caule sem folhas ou galhos e alimentada por veias e bulbos de sangue expostos ao ar demonstrava seu aspecto impetuoso. Aquilo de certo trazia sensações enjoativas, mas ainda assim maravilhosas! Logo foi levada para análises especializadas, tratava-se de vida alienígena.
Tripulantes enaltecidos pelo trabalho, era hora de voltar. A grande máquina levanta-se do solo transparente deixando para trás uma vitória conquistada. Uma vitória conquistada e uma pessoa perdida. Camargo perdera-se naquela imensidão de imagens sem nenhum equipamento e sabia que seria considerado como perda aceitável durante a missão, ele havia fugido aos avisos do protocolo de segurança. Enquanto as turbinas imperam por entre a atmosfera Venusiana, aquele homem seria o único a conhecer profundamente as lamentações de um mundo desconhecido.
quarta-feira, 11 de abril de 2007
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