quarta-feira, 29 de agosto de 2007

1. Um novo caso.

Um lamentável acontecimento, era tudo o que Jonas tinha em mente para dizer, diante de um homem bem vestido e acompanhado de dois outros, que deveriam ser seus seguranças. O lugar em que se encontrava era apertado, mas muito bem organizado, uma mesa simples e alguns objetos de escritório dispostos sobre a mesa. Um clássico armário de latão que identificava-o como detetive particular em início de carreira, lixeira, banheiro e as paredes brancas e bem pintadas, parecia que a pouco passaram lá algumas mãos de tinta. Todavia, o ambiente era carregado, um detetive sempre tratava de assuntos delicados e aquele então, era especialmente embaraçante para os contratantes.

Jonas era dotado de um inteligência razoável, mas era uma pessoa dedicada e normalmente eficiente no que fazia, eficiência também era a palavra que explica como mostrava-se tocado por um assunto que nada lhe despertava, a não ser indiferença, essa mesma característica que o acompanhava em uma monotonia sem fim por tudo quanto ele via em sua frente, mas recusava qualquer tipo de tratamento.

O homem bem vestido, na verdade apresentava-se com um fino terno cor de gelo e um rosto firme, muito bem expresso no cavanhaque que dava força a sua expressão. Ele dizia:

- Jonas, foi uma tragédia! O filho do Cavalcante morto... Lamentável. Nós queremos seus serviços, só esperamos sigilo, como de costume.

Jonas sequer observa os outros dois homens vestidos de terno preto, e o frio diálogo continua:

- Entendo. Conte-me sobre.

- Bom... Não sabemos como aconteceu, foi um assassinato.

- Entendo. Conhece meus honorários...

- Podemos pagar.

- Alguma desconfiança?

- Nenhuma.

- Então preciso conhecer algo da vítima.

- Já pensamos nisso.

- Como?

- Você terá acesso a algumas algumas coisas da família, para começar a trabalhar.

- ...

- Providenciamos tudo.

- Certo.

Jonas tinha certeza que aqueles homens eram empregados da mais alta classe setelagoana, o tom severo de suas palavras emanavam o poder daquela família que os enviara até lá. Era certo que algo de pobre iria surgir diante de seus olhos, mas são ossos do ofício. Ao fim, apertaram as mãos de Jonas e foram embora, esperando-o para o dia seguinte na grande casa da família Cavalcante.