segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Negoção da Zâmbia

Diz a historiografia uma bagaça mais ou menos assim sobre os europeus na África, lá pra 1400 e qualquer coisa:

Os europeus estavam com idéia de chegar e dominar os negros. Beleza, escravidãozinha básica de um continente inteiro, com todo apoio legal e religioso possível –dado pelos europeus aos europeus, enfim, meio suspeito – com o coraçãozinho cheio de interesses bacanas deste naipe. O fato é que a coisa não era só chegar lá, meter a mão em meia dúzia de pessoas e botar num barco rumo à América ou qualquer canto do mundo, havia, claro um pequeno entrave, um detalhe básico que denota que NINGUÉM QUER SER ESCRAVO!

Então qual era o plano da galera? Bom, primeiro eu tenho que contar uma coisa. É que na áfrica tinha mais era tribo. E este povo todo de tribos não eram geralmente lá muito gente boa com as outras tribos; o pau arriava desenboladamente e o que resultava numa bela carnificina durante um belo por do sol. Rolava umas parada de escravizar os reféns de guerra, às vezes fazia-se ritual pra mastigar os perdedores – tipo aqueles rituais incas de sacrifício, dizem que é lindo, mas eu não queria estar no lugar de um infeliz daqueles.

Ah! Sim! Qual era o esquema?! Simples, era só jogar a lábia pra cima da galera de uma tribo contra a outra; dava apoio e tudo o mais e rachavam os cativos; imagino eu que o papo era mais ou menos assim e o que se pensava ficará em parênteses:
“- Opa! Tudo beleza Abaluá? (Coisinha inferior...)”
“- Tudo bão, Manél. (Lá vem esse cara de novo, ninguém confia nele...)”
“- Aqui, fiquei sabendo que sua tribo ta querendo dar uma chacinada depois de amanhã, a gente podia unir forças (Na verdade eu te dou armas e vocês se matam pra lá).”
“- Uai Manél, como assim (O que esse cara ta falando? Já tem 3 gerações que essa guerra num acaba e ele chega achando que ta resolvido assim?)?
“- Olha aqui cara, fraga esse negócio (Lá vou eu ter que explicar o que é isso...)!”
O europeu coloca na frente dele uma carabina lindíssima, ardonada e aquela coisa toda.
“- Olha o que esta arma...”
“- Isto é uma arma (que porra é essa?)?!” Indaga o Africano.
“- É! É sim! Deixe-me dar uma demonstração... (Esse cara vai ficar louco, hehehe)”

Apontando a arma para uma árvore seca... tadinha, custando a se manter viva naquele solo árido, numa dificuldade imensa de existir, ainda vira alvo pro cara.
“- ToOOoooOuUUUuu!!!”
“- Ahhhhhh!!! (Os deuses estão loucos!!!)” Apavoradíssimo o carinha da tribo.
“- Calma! Calma! Olha lá na árvore (Agora ele surta! Hehe)!”
O negro chega na árvore e vê o rombo que o fuzil fez nela. Assustado, ele olha boquiaberto pro sujeito branquelo vestido ridiculamente.
“- Foi essa coisa que fez isso? (Será que os deuses nos presenteiam com a vitória!?!)”
“- Foi sim! A gente vai treinar vocês pra vencerem, só queremos uma coisa... (Até que pra um bando de tribais a coisa ta se desenvolvendo bem...)”
“- O que querem (O que os deuses querem?)?”
“- A gente quer uma parte dos escravos pra gente, dos que fizerem em guerra (Vai! Aceita! Ta na sua mão!).”

“- Demorô cumpáde, bóra matá a galera aê! (Realizei o sonho de 3 gerações de minha comunidade, to feito! Serei lembrado eternamente na História!)”

Dias depois, os comandantes europeus escutam tiros ao longe, gritos e aquela coisa toda do pavor de guerra com armas de fogo; o lucro estava garantido!

Destruindo Vidas

Tarde de sol no Mineirão e aquela bagunça toda que sempre acontece quando tem clássico. Galera se amontoando com cervejas no copo de plástico, aí você passa a sentir o cheiro do baseado por um tempo, acotovela um aqui e outro ali e finalmente para em algum canto qualquer, mais perto da torcida que curte mais. Lá em baixo num tem nada ainda, só os mascotes fazendo bobaginhas idiotas e a torcida respondendo; feio de mais, mas divertido. E no meio daquele povão, vestido com uma camisa azul (!!!) ta lá Germano com seu copinho de cerveja e seu paiêrinho na boca só esperando o jogo começar.

Mascote fazendo gracinhas, bandeirão desce, bandeirão sobe e os jogadores aparecem, aquela coisa de sempre... Germano tava lá de boa como todo mundo, né? Xinga juiz, desespera com o filho da puta do Amâncio que erra um passe e dá o contra-ataque, enfim, nada muito indicado pra quem tem problemas cardíacos.

Só que ai, amiguinhos, ai começa a bagunça. Quem tava com radinho (Germano não tava) escutava lá pelos 22 do primeiro tempo, uma transmissão mais ou menos assim:
“- A-posse-de-bola-foi-recuperada, ele-olha-pros-lados-esperando-posicionamento-e-Amâncio-aparece. Amâncio-parte-pela-ponta-esquerda-e-cruza!!! Pela-linha-de-fundo!!!”
Aquele cara que fica dando pitacos no rádio não perde essa:
“- É Aroldo! O Amâncio hoje não tá jogando nada! Ele ta é atrapalhando o avanço do time pelo lado esquerdo.”
E ali na torcida o opinião era mais ou menos a mesma, mó galera já tava puto com esse tal de Amâncio que estragou tudo o que pôs os pés. Germana quase entrava em frenesi de fúria:
“- Filho da puta! Amâncio filho da puta! Sai fora daí!”
E pra acabar de fuder o barraco todo, depois de um passe errado deste jogador, o time rival emendou um gol no contra-ataque que o Mineirão era só gritaria, pelo menos de um lado que tava comemorando.
“- Caralho! Porra! Tem que matar essa desgraça! Tem que matar essa desgraça!” Gritava nosso herói.
Ali, naquela hora, ele falou algo que mudaria sua vida drasticamente:
“- Alguém me dá um rifle de caça que eu mato ele aqui mesmo!!!”
A despeito de ser uma ironia enraivecido e de ter repetido isso algumas vezes, alguém chegou no seu ouvido dando tapinhas no seu ombro e dizendo:
“- Toma ai, é pra você.”
Ele virou pra trás e pegou o objeto quase branco de medo, o cuzinho fazendo bico e as perninhas tremendo enquanto o cara que passou o negócio dizia:
“- Aê mano, firmeza ai fazer o que tu ta falando. A galera ta só esperando tu resolver a treta.” O cara falava como se Germano tivesse nas mãos um ingresso pra entrar na “turma”, aquele voto de confiança depositado que seu patrão faz quando tem um serviço sério pra você, versão marginal.

Mas aquela porra que ele tava segurando nas mãos era uma desgraça de um rifle de precisão!!! Caralho velho, o quê que o cara vai fazer agora? Ele tem um rifle, a Polícia ta na área, ele tem um rifle cheio de balas (bonitinho que vem até com luneta) e deve ter uns 50 assassinos querendo que ele dê um tiro em alguém. Puta merda! A imprensa ta toda aqui! Porra! Esses caras do lado num tão nem ai?! E agora? Fudeu!

Coitado, Germano olhava meio troncho pra cepa de arma que tava segurando. Cadê a segurança nos estádios? E se ele não mata? Morre? Puta que pariu! Puta que pariu! Puta que pariu! (É nesta horas que o personagem tem sua vida passada diante dos seus olhos, onde posso contar que uma vez, quando ele era criança colocou suco de morango na caixa d’água da escola e interditou a mesma por 4 dias. Na época o ferro que tomou foi gigantesco, mas hoje ele se lembrava disso com bom humor...). O cara olhava pra todos os lados e todo mundo parecia normal, que merda é esta?
“- Véi! Quê que eu faço com isso?!” Perguntou prum cara que tava do lado dele.
“- A fita é sua maluco! Vim cá pra torcer, cê veio pra matar tenho nada a ver com isso não.”
Puta merda! Virou assassino e nem em sonho tinha como explicar como aquele rifle parou nas suas mãos sem ter que fugir da cidade. Levantou a bichona e olhou pela luneta, lá do outro lado do estádio tava o cara, do time rival, que tava devendo ele uns 400 dinheiros.
A partir daqui a coisa toma um rumo meio estranho, com a arma na mão sentiu vontade de matar. Já que tava todo fudido mesmo e psicologicamente, em bons termos, louco pra caralho, apertou o gatilho.
“Puff!”
Tinha silenciador na ponta e nem reparou. O esquema é que do outro lado do estádio juntou uma rodinha no meio do moribundo pra ver que doença era aquela que fazia o cara desmaiar de uma hora pra outra... Aham, desmaio sim, vai nessa...

Tomando gosto pela arte psicopata de matar, mirou uma mulher idosa lá das cadeiras numeradas e mandou bala! Uma gostosa do time dele, que tinha cortado ele a uns 4 meses atrás e outro tiro.
“- Quê que eu tou fazendo?!”
Nessa o jogo já tinha acabado e a polícia tinha entrado com tudo, de longe só dava pra ver a câmera apontada pra ele e rapidinho começou o corre-corre. Tinha um maluco armado dentro do Mineirão!!! E cadê o filho da puta do Amâncio?! Há! Este já tinha vazado fazia tempo, cheio de escolta e as coisas todas. O caso é que na hora que Germano foi perceber o jogo tinha acabado, quando ficou lúcido só tinha ele sozinho no meio das cadeirinhas vermelhas se perguntando o que foi que fez. É que foi tipo sonho mesmo, deu vontade, ele tava meio aéreo com a situação e no susto tinha acabado com sua vida com apenas algumas balas do rifle.

Ai foi uma boa hora pra largar a arma, ver a magnitude da merda que tinha feito, sentar na cadeirinha imunda com os pés dos outros e chorar. Como ia aparecer nos telejornais noturnos do mundo inteiro, pegou uma cerveja meio quente que tava lá perto (e eu não faço idéia de como não derramou) e foi curtir a destruição da sua vida.

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

2. A carta.

Na casa do Cavalcante o clima era pesado e os olhares penosos fitavam-se sem ter muito o que dizer. Era uma casa muito grande, pintada em branco e adornada maravilhosamente em belos objetos... Um descuidado qualquer poderia dizer que se tratava de peças valiosíssimas. Ali, no quarto do falecido filho, Jonas tinha uma liberdade meticulosa. Todavia, quase uma hora antes Cavalcante havia se inclinado àquela decisão em um lamentoso diálogo com Jonas.

Cavalcante, que no semblante não escondia a imensa tristeza, o que não fazia passar despercebido sua personalidade forte e verdadeiramente tradicional, e conduzia Jonas pelos aposentos da casa em desabafo um tanto quanto contido:

- Conheço seus serviços, mas seja discreto...

Jonas sequer o olhara enquanto atravessavam um corredor, era indispensável disfarçar a sua pura indiferença perante o caso:

- Sim senhor, mas...

Cavalcante o interrompeu:

- Sim. Já ouvi falar de seus métodos e sua eficácia, Fernando irá lhe acompanhar. Eu vou tentar me recompor, bebe?

- Não.

Fernando, um dos homens que o procuraram no dia anterior, o esperava dentro do quarto de Ricardo, o jovem filho de Cavalcante. Este por sua vez foi para a sala de estar, onde dividia seus lamúrias com uma senhora soluçante de dor afetiva.

Já passada uma hora e dentre todos os lugares as quais Jonas poderia ter alguma liberdade em procurar, já que Fernando estava ali para evitar abusos, um pequeno pedaço de papel embrenhava-se entre inúmeras páginas de um livro. Jonas observou o título, tratava-se de um exemplar Willian Shakespeare, “Romeu e Julieta”.

O papel, uma carta de amor escrita a próprio punho. Palavras amargas de um amor impossível à flor da paixão, um toque então do misterioso perfume que embriagava naquele caso.

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

1. Um novo caso.

Um lamentável acontecimento, era tudo o que Jonas tinha em mente para dizer, diante de um homem bem vestido e acompanhado de dois outros, que deveriam ser seus seguranças. O lugar em que se encontrava era apertado, mas muito bem organizado, uma mesa simples e alguns objetos de escritório dispostos sobre a mesa. Um clássico armário de latão que identificava-o como detetive particular em início de carreira, lixeira, banheiro e as paredes brancas e bem pintadas, parecia que a pouco passaram lá algumas mãos de tinta. Todavia, o ambiente era carregado, um detetive sempre tratava de assuntos delicados e aquele então, era especialmente embaraçante para os contratantes.

Jonas era dotado de um inteligência razoável, mas era uma pessoa dedicada e normalmente eficiente no que fazia, eficiência também era a palavra que explica como mostrava-se tocado por um assunto que nada lhe despertava, a não ser indiferença, essa mesma característica que o acompanhava em uma monotonia sem fim por tudo quanto ele via em sua frente, mas recusava qualquer tipo de tratamento.

O homem bem vestido, na verdade apresentava-se com um fino terno cor de gelo e um rosto firme, muito bem expresso no cavanhaque que dava força a sua expressão. Ele dizia:

- Jonas, foi uma tragédia! O filho do Cavalcante morto... Lamentável. Nós queremos seus serviços, só esperamos sigilo, como de costume.

Jonas sequer observa os outros dois homens vestidos de terno preto, e o frio diálogo continua:

- Entendo. Conte-me sobre.

- Bom... Não sabemos como aconteceu, foi um assassinato.

- Entendo. Conhece meus honorários...

- Podemos pagar.

- Alguma desconfiança?

- Nenhuma.

- Então preciso conhecer algo da vítima.

- Já pensamos nisso.

- Como?

- Você terá acesso a algumas algumas coisas da família, para começar a trabalhar.

- ...

- Providenciamos tudo.

- Certo.

Jonas tinha certeza que aqueles homens eram empregados da mais alta classe setelagoana, o tom severo de suas palavras emanavam o poder daquela família que os enviara até lá. Era certo que algo de pobre iria surgir diante de seus olhos, mas são ossos do ofício. Ao fim, apertaram as mãos de Jonas e foram embora, esperando-o para o dia seguinte na grande casa da família Cavalcante.

domingo, 29 de julho de 2007

Coisas do amor.

Leandro desceu da lotação e caminhou a passos tortos, o álcool já corria por muito tempo em sua veia e a meta naquele momento era chegar inteiro na sua casa. É que a noite os bairros andam perigosos e o Montreal não era nenhuma exceção. Passos lentos e cansados sobem a rua da sua casa, sem nenhuma cautela típica dos bêbados de 19 anos; a farra estava muito boa e agora o único pensamento era chegar e entrar no seu quarto sem acordar sua mãe, pois seu pai, um caminhoneiro, estava de viagem

Olhou o relógio de frente ao muro amarelo da sua casa, eram 2 e 15 da manhã e já lutava para enfiar a chave no lugar certo. Quando entrou, foi percebendo uma música nada comum para aquele horário!Leandro gelou, pois sua situação era catastrófica e certamente levaria um sermão!

Abriu a porta lentamente, de modo que sem querer o ruído desta fora abafada pela música que ressoava lá dentro; reconhecendo a música, tomou gosto pela escolha do QUEEN.
Atravessou o corredor, onde ao final situava seu quarto, mas deveria passar pelo quarto de seus pais, que era de onde vinha a música... Mas ao tentar ser silencioso, algo lhe chamou a atenção diante da porta e para seu espanto, virou o rosto e se viu diante de uma cena que para ele era chocante.

Nuas! Sua mãe e uma jovem da idade de Leandro, ambas desesperadas, descobertas do sigilo das carícias que trocavam ao som de um rock dos anos 80. Leandro estava pasmo diante daquela cena. O que aquela garota fazia nua transando com a sua mãe?

Aquela foi uma longa e torturante noite para Leandro, onde os berros de indignação eram escutados por todo quarteirão naquela madrugada.

sábado, 21 de julho de 2007

O perneta

Em uma cidade do interior de Minas Gerais, chamada Sete Lagoas, existia um tal de Perneta. Homem bravo e louco, suas histórias, passadas de boca em boca, ganham proporções de mitos. Assim, Perneta é um mito setelagoano. Ele, claro, só tem uma perna e se move com a ajuda de uma muleta; louro e de olhar macabro, é temido pela feição e feitos... Dizem até que já venceu 8 homens armados de facas ao mesmo tempo, que corria mais que um carro comum, que abriu a barriga da mãe para ver o que tinha dentro, entre outras coisas.

Estava eu outro dia perto do CAT (Centro de Atendimento ao Turista), que é algo muito pouco visitado, exceto quando lá se vende Abadás para o Carnasete, o carnaval temporão da cidade. Na rua que fica atrás deste lugar é onde fica boa parte dos pontos finais de ônibus; o lugar é movimentadíssimo! Pessoas de todas as etnias se acotovelando, olhares que se cruzam e se desfazem por medo ou por timidez, algumas conversas descontraídas e atentas ao ronco dos motores, olhares estranhos e poucos conhecidos de algumas mulheres bonitas, carros passando e ônibus parando, o vendedor de picolé, sempre ali naquele mesmo canto e eu em um tédio comum ao ato de esperar, algumas pessoas um pouco acomodadas nos bancos... Sempre me sinto satisfeito quando não tenho que ficar em pé.

Eis que surge o Perneta, eu nunca o tinha visto. Lembrava um homem de 40 anos, pele ressecada e cabelos louros e curtos, o olhar era intimidante e inspirava o receio de tê-lo perto de mim, e claro, a muleta, embora ele a manobrasse com maestria... O personagem de tantos mitos estava pronto em minha mente, diante de mim.

Isoladas e amedrontas, duas mulheres. Ambas acuadas de súbito pelo vácuo que fez a multidão em defesa própria. Perneta não teve dúvidas... A medida que ia se aproximando, as duas se faziam cada vez mais de desentendidas até o limite de onde não era possível, ele estava lá, diante delas. Elas olhavam apavoradas para todos os lados, a fim de perceberem um súbito herói setelagoano que evidentemente não seria eu. Ninguém queria se arriscar e o inusitado aconteceu!

Subitamente, o Perneta arrancou a bolsa das mãos de uma das garotas para o espanto geral e para uma mistura de perda e alívio de uma das garotas. Os guardas municipais que passavam por ali logo perceberam o que acontecia e se puseram a persegui-lo, mas estavam um pouco longe. Perneta correu numa velocidade impressionante ao atravessar a rua do ponto final, por meio a carros em alta velocidade e com um pulo, passou por cima de um muro de três metros sem que os guardas nada pudessem fazer para acompanhá-lo.

A polícia chegou e não conseguiu achar o Perneta, estaria registrado mais um mito setelagoano.

sexta-feira, 6 de julho de 2007

10. Uma verdade cruel.

A última nave da expedição Vênus daquele ano decola de solo terrestre. Abaixo é possível se observar cada vez menor o aglomerado cinzento de metal e coberto pela espessa camada de gases também acinzentados. Sinais de luz são tudo que restam naquela altitude e as turbinas são ligadas a atravessar a atmosfera, enfim, o planeta acinzentado seria deixado para trás. De baixo, as pessoas acompanhavam ansiosas pelo que seria, segundo informações oficiais do governo, a segunda expedição enviada para o planeta desconhecido. Maravilhados diante seus televisores ou até mesmo completando visualmente a partida daquela máquina voadora, os desejos infantis de serem astronautas exploradores eram vivenciados pela ótica do observador.

Horas depois aquele mísero objeto cruzador do sistema solar já se via diante de um planeta magnificamente belo e incursá-lo a dentro seria a próxima tarefa. Todos estavam apostos e ansiosos quando a atmosfera fora atacada pelo metal e tudo corria muito bem.

A nave atravessa a camada colorida de gases e tudo indica que o pouso diante um terreno que ao longe lembrava a pele de um animal seria tranquilo. Todavia, o radar acusa a aproximação de um grande e colossal objeto. De tão rápido, a informação não pode ser digerida pelo comando e o choque foi inevitável! Ao que parece, uma enorme pedra acinzentada atingira a nave e a lançara velozmente pelo fator da inércia, mas deixando um rombo que fazia vazar todo o combustível. Foi tudo muito rápido e a espaço - nave só conheceu o chão muitos kilômetros depois, em um ambiente de vidro absoluto onde o horizonte se perdia de vista.

O choque foi destruidor, o impacto da queda fez a máquina quicar várias vezes e a cada toque no chão ela se desfazia mais e mais, num espetáculo de metal se destroçando em piruetas velozes. Os fragmentos do cruzador estrelar espalharam-se por kilômetros.

Eis que surgem passos no meio do vidracal a se desvencilhar dos cacos metálicos e do piso. É Camargo, um tripulante deixado a própria sorte na primeira viagem ao planeta. Seu rosto desesperançoso e resignado agora caminha por entre as ferragens; sobreviveu a deglutir pequenas plantas que encontrava no deserto de vidro, bem como bebendo o sangue destas. Ao observar o que seria um laboratório, encontra uma mulher degolada... Todavia, ela o observa temerosa, era Yunna. Camargo dizia que a morte inexiste naquele planeta, mas ela já podia saber por si própria.

Fim. =)