Os europeus estavam com idéia de chegar e dominar os negros. Beleza, escravidãozinha básica de um continente inteiro, com todo apoio legal e religioso possível –dado pelos europeus aos europeus, enfim, meio suspeito – com o coraçãozinho cheio de interesses bacanas deste naipe. O fato é que a coisa não era só chegar lá, meter a mão em meia dúzia de pessoas e botar num barco rumo à América ou qualquer canto do mundo, havia, claro um pequeno entrave, um detalhe básico que denota que NINGUÉM QUER SER ESCRAVO!
Então qual era o plano da galera? Bom, primeiro eu tenho que contar uma coisa. É que na áfrica tinha mais era tribo. E este povo todo de tribos não eram geralmente lá muito gente boa com as outras tribos; o pau arriava desenboladamente e o que resultava numa bela carnificina durante um belo por do sol. Rolava umas parada de escravizar os reféns de guerra, às vezes fazia-se ritual pra mastigar os perdedores – tipo aqueles rituais incas de sacrifício, dizem que é lindo, mas eu não queria estar no lugar de um infeliz daqueles.
Ah! Sim! Qual era o esquema?! Simples, era só jogar a lábia pra cima da galera de uma tribo contra a outra; dava apoio e tudo o mais e rachavam os cativos; imagino eu que o papo era mais ou menos assim e o que se pensava ficará em parênteses:
“- Opa! Tudo beleza Abaluá? (Coisinha inferior...)”
“- Tudo bão, Manél. (Lá vem esse cara de novo, ninguém confia nele...)”
“- Aqui, fiquei sabendo que sua tribo ta querendo dar uma chacinada depois de amanhã, a gente podia unir forças (Na verdade eu te dou armas e vocês se matam pra lá).”
“- Uai Manél, como assim (O que esse cara ta falando? Já tem 3 gerações que essa guerra num acaba e ele chega achando que ta resolvido assim?)?
“- Olha aqui cara, fraga esse negócio (Lá vou eu ter que explicar o que é isso...)!”
O europeu coloca na frente dele uma carabina lindíssima, ardonada e aquela coisa toda.
“- Olha o que esta arma...”
“- Isto é uma arma (que porra é essa?)?!” Indaga o Africano.
“- É! É sim! Deixe-me dar uma demonstração... (Esse cara vai ficar louco, hehehe)”
Apontando a arma para uma árvore seca... tadinha, custando a se manter viva naquele solo árido, numa dificuldade imensa de existir, ainda vira alvo pro cara.
“- ToOOoooOuUUUuu!!!”
“- Ahhhhhh!!! (Os deuses estão loucos!!!)” Apavoradíssimo o carinha da tribo.
“- Calma! Calma! Olha lá na árvore (Agora ele surta! Hehe)!”
O negro chega na árvore e vê o rombo que o fuzil fez nela. Assustado, ele olha boquiaberto pro sujeito branquelo vestido ridiculamente.
“- Foi essa coisa que fez isso? (Será que os deuses nos presenteiam com a vitória!?!)”
“- Foi sim! A gente vai treinar vocês pra vencerem, só queremos uma coisa... (Até que pra um bando de tribais a coisa ta se desenvolvendo bem...)”
“- O que querem (O que os deuses querem?)?”
“- A gente quer uma parte dos escravos pra gente, dos que fizerem em guerra (Vai! Aceita! Ta na sua mão!).”
“- Demorô cumpáde, bóra matá a galera aê! (Realizei o sonho de 3 gerações de minha comunidade, to feito! Serei lembrado eternamente na História!)”
Dias depois, os comandantes europeus escutam tiros ao longe, gritos e aquela coisa toda do pavor de guerra com armas de fogo; o lucro estava garantido!
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