Em uma cidade do interior de Minas Gerais, chamada Sete Lagoas, existia um tal de Perneta. Homem bravo e louco, suas histórias, passadas de boca em boca, ganham proporções de mitos. Assim, Perneta é um mito setelagoano. Ele, claro, só tem uma perna e se move com a ajuda de uma muleta; louro e de olhar macabro, é temido pela feição e feitos... Dizem até que já venceu 8 homens armados de facas ao mesmo tempo, que corria mais que um carro comum, que abriu a barriga da mãe para ver o que tinha dentro, entre outras coisas.
Estava eu outro dia perto do CAT (Centro de Atendimento ao Turista), que é algo muito pouco visitado, exceto quando lá se vende Abadás para o Carnasete, o carnaval temporão da cidade. Na rua que fica atrás deste lugar é onde fica boa parte dos pontos finais de ônibus; o lugar é movimentadíssimo! Pessoas de todas as etnias se acotovelando, olhares que se cruzam e se desfazem por medo ou por timidez, algumas conversas descontraídas e atentas ao ronco dos motores, olhares estranhos e poucos conhecidos de algumas mulheres bonitas, carros passando e ônibus parando, o vendedor de picolé, sempre ali naquele mesmo canto e eu em um tédio comum ao ato de esperar, algumas pessoas um pouco acomodadas nos bancos... Sempre me sinto satisfeito quando não tenho que ficar em pé.
Eis que surge o Perneta, eu nunca o tinha visto. Lembrava um homem de 40 anos, pele ressecada e cabelos louros e curtos, o olhar era intimidante e inspirava o receio de tê-lo perto de mim, e claro, a muleta, embora ele a manobrasse com maestria... O personagem de tantos mitos estava pronto em minha mente, diante de mim.
Isoladas e amedrontas, duas mulheres. Ambas acuadas de súbito pelo vácuo que fez a multidão em defesa própria. Perneta não teve dúvidas... A medida que ia se aproximando, as duas se faziam cada vez mais de desentendidas até o limite de onde não era possível, ele estava lá, diante delas. Elas olhavam apavoradas para todos os lados, a fim de perceberem um súbito herói setelagoano que evidentemente não seria eu. Ninguém queria se arriscar e o inusitado aconteceu!
Subitamente, o Perneta arrancou a bolsa das mãos de uma das garotas para o espanto geral e para uma mistura de perda e alívio de uma das garotas. Os guardas municipais que passavam por ali logo perceberam o que acontecia e se puseram a persegui-lo, mas estavam um pouco longe. Perneta correu numa velocidade impressionante ao atravessar a rua do ponto final, por meio a carros em alta velocidade e com um pulo, passou por cima de um muro de três metros sem que os guardas nada pudessem fazer para acompanhá-lo.
A polícia chegou e não conseguiu achar o Perneta, estaria registrado mais um mito setelagoano.
sábado, 21 de julho de 2007
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