Naquela região acinzentada e com pedras flutuantes, lá está o monumento da invasão humana a um planeta hostil. São construções agressivas que deveriam denotar o espanto, medo e admiração por parte de uma população alienígena não encontrada. O ferro sobe também nas construções paralisadas, as máquinas já acumulam poeira e do lado de dentro, os humanos perecem.
Em reunião fechada, o rosto do Comandante Cláudio e de seis subordinados de auto escalão é de um medo perante o desafio invencível, não parece existir possibilidades. Enquanto discursam sobre o caminho a tomar, entreolham-se as aparências fúnebres, rostos sem lábios, rosto sem nariz, sem orelha, alguns olhos que não funcionam mais, o cabelo que cai desproporcionalmente, as mãos putrefadas, unhas que soltam etc. Resistiam ainda na idéia de aparência, o que ligeiramente os enganava mutuamente quanto a uma boa saúde e condições psíquicas para participar daquela reunião. A frieza da liderança se mostrou pela opção de alimentar apenas os que aparentavam boa saúde, como que a condição deles próprios os dariam álibi para a salvação por mais alguns dias; alimentação e água já se mostravam escassos e entregar os mais doentes a própria sorte seria a única alternativa possível.
Engenhosamente se puseram a selecionar mentalmente aqueles que deveriam ser mais ápitos ao direito de sobreviver por mais algum tempo. Os critérios perpassavam de subordinação à interesses emocionais daqueles que escolhiam, todavia, estes motivos não eram questionados... Aquele momento trazia em si algo de laços humanos no momento mais crítico e cruel de suas vidas e era comungado por eles naquela pequena sala de comando.
Em diversos lugares do recinto, era possível - para quem ainda podia ouvir – escutar o chamar de nomes, nomes estes que deveriam dirigir-se para o setor de alimentação.
Em poucos minutos a iniciativa do comando se viu um algoz da organização. É que aqueles que foram chamados rapidamente deduziram que o seriam para um destino trivialmente cruel. No pensamento dos tripulantes, isso não passava de um grande extermínio generalizado a fim de erradicar a doença. Tudo começou com um boato e agora se viam liderados por uma engenheira eletrônica de nome Gátaza. A confusão e o espírito de revolta diante das intempéries fomentou uma agitação geral, que já batia a porta da sala de comando.
quarta-feira, 27 de junho de 2007
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