domingo, 1 de julho de 2007

8. A besta.

Semanas depois de estourada a revolta, muito pouco restou da tripulação. Os grupos que se defendiam no teor do medo, viram-se obrigados a duelar pela canibal comida até que restasse apenas um. Algo de diferente havia naquele lugar, a fome era incessante e as fezes já não eram perdoadas pelo apetite voraz.

Havia um último grupo, da qual pertencia Gorano, este já estava completamente deformado, mas tinha uma vantagem. Um olho ainda funcionava e seus dentes pareciam bem equipados diante do restante do grupo, que apenas vagava esfomeado e a esmo. Diante da barbárie que havia presenciado, atacar aquelas pessoas não seria uma idéia exatamente questionável, tentava fugir de antigos pensamentos da moral que tentavam o apunhalar a todo custo, todavia, a realidade era verdadeiramente outra, mesmo que a adaptação fosse difícil e a custo de toda sua construção como pessoa, afinal, ele estava ali, vivo!

Gorano decide atacar os outros membros, e enquanto faz isto, a visão do resto da embarcação espacial se reduz apenas ao sangue que não fora tomado, trapos que não se enroscaram na carne ao serem ingeridos, ossos partidos e esquecidos. A luz macabra continuava por todo local a trazer à tona aquele cenário de uma batalha épica pela vida, onde valores sucumbiam às necessidades do momento e o horror de pessoas era percebido a cada instante.

Vitorioso de sua empreitada, Gorano, ainda mais ferido e com a brutalidade no âmago do espírito, uma força animal que o arrastava e já o fazia esquecer de que era humano, trabalhava sobretudo com as vontades do instinto e sua imediata satisfação; perdera palavras e sentia não precisar dela. No mais, o máximo que precisou da memória, ele teve, e assim saiu daquele lugar rumo à paisagem das pedras flutuantes.

Um comentário:

Doido da Garrafa disse...

eita pescador..
escrever sobre vc??

A besta??
ahuauhahuauh