O terror se espalhara! Um estado animalesco de luta pela própria sobrevivência se instalara até mesmo fora dos limites da habitação humana. Na sala de reuniões, Comandante Cláudio agoniza inerte, mutilado por uma revolta outrora bem sucedida no que tange à eliminação de um poder não coerente com a vontade do grupo, ele ainda estava sendo devorado por dois daqueles que deveriam ser seus subordinados. Os dentes arracam-lhe furiosamente a carne do seu peito, alimento suculento naquele momento de falta total da comida tradicional, outros dentes lhe mordiam e arrancavam os dedos da mão do único membro que ainda possuía. Cláudio agora estava sem olhos, sem lábios, suas tripas foram devoradas, o sangue o banhava e sequer podia gritar, sua língua e grande parte do pescoço também serviram de banquete àqueles que apenas conheciam a fome. Cláudio implorava internamente para que morresse logo, lembrava-se de vários deuses, lembrava-se de um mundo pacífico e perfeito que viria após a morte, mas aqueles instantes eram intermináveis e sua dor era intransferível.
Assim também acontecia dos fortes para com os fracos. Mas uma dor ainda atingia aqueles que não estavam muito contaminados pela doença, era a consciência. Valores aprendidos em uma sociedade que os aceitavam, eram agora deixados de lado a duras custas, era preciso sobreviver. Nem todo treinamento poderia supor tamanha atrocidade para aquelas pessoas e cada mordida os fria a alma. Uns comiam aterrorizados, outros comiam a se desculpar internamente e em lágrimas, outros poucos conseguiram fugir para o terreno rochoso em um ato de coragem dupla contra a fome e contra um planeta surreal, a fim de defender suas dignidades.
Já existiam grupos de proteção mútua e rivais uns dos outros, aqueles que fugiram sucumbiam visivelmente pelas janelas daquele lugar. O terror se mostrava intolerante e os que eram levados à loucura, logo serviam de banquete... Tudo era a se temer.
Na sala de armamentos estava Rokier, faminto a saboreando um suculento seio... O que era difícil, pois seus dentes podres já estavam a atrapalhar. Dividia-a com um grupo de seis pessoas... Enfim, ele resolve se livrar de um colar que o incomodava e a culpa o dominou por completo quando leu o nome de sua irmã, Amáris. Ali ele perdeu a fome, mas sabia que nada poderia fazer diante de um grupo faminto.
quarta-feira, 27 de junho de 2007
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Um comentário:
Pescador..
mto doido ..
sua capacidade descritiva ta cada dia melhor ...
soh os temas eh que nao me agradam ...
Postar um comentário